Resenha | O inventário das coisas ausentes



A “boniteza” desse livro começa pelo nome dele. E foi o nome que me atraiu, assim como aconteceu com “O amor nos tempos do cólera”, “A insustentável leveza do ser”, “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios” e outros livros que me chamaram pelo título. “O inventário das coisas ausentes”, da Carola Saavedra , mostra o percurso de um escritor na construção de sua obra. É um livro composto por duas partes. A primeira é o caderno de anotações do narrador/escritor, onde ele registra ideias para construir o livro que deseja escrever, histórias paralelas e fatos sobre Nina, uma moça chilena que ele conheceu na faculdade e com quem teve um relacionamento amoroso. Após uma rápida convivência, Nina some e deixa para o narrador uma caixa com 17 cadernos (os diários dela). Os desencontros dessa relação (entre Nina e o narrador) também alimentam a trama estruturada na segunda parte de “O inventário das coisas ausentes”. Nela, lemos (de fato) a história escrita pelo narrador - sobre uma casa, corredores, um velho curvado que caminha para a morte, a difícil relação entre um pai e um filho, uma série de ausências. Nesse ponto, a história ganha ares kafkianos e eu fui transportada para “Carta ao pai”, a carta que Kafka nunca enviou. A obra de Carola me fez refletir profundamente sobre os impactos das relações que estabelecemos e das decisões que tomamos, além do fato de que é preciso compreender quão tênue é a linha entre realidade e ficção. “Penso, o que será do passado, quando os rastros se forem e ficar apenas a memória. (...) Eu te amo, diz o texto. Talvez entre o eu te amo e o amor propriamente dito haja um espaço intransponível. Talvez o tempo que passa. Mas não apenas. Talvez um inevitável desencontro. Essa incoerência. Leio o texto como se fosse parte de um romance. Talvez seja isso, e quando o amor acaba resta apenas a ficção”. (“O inventário das coisas ausentes”, p. 64)

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